A ibis
- A ibis do Oriente-próximo
- A ibis nas concepções religiosas dos antigos egípcios
- A ibis, destruidora das serpentes
- A ibis purificadora
- A ibis, emblema de ressurreição e condutora das almas
- A ibis, na simbólica cristã
- A ibis na simbólica do mal
Sumário analítico
-
A ave íbis do Antigo Egito e suas características físicas
- Descrição morfológica do íbis sagrado dos egípcios (Geronticus Aethiopicus) em comparação com outras aves.
- Coloração da plumagem branca com detalhes negros na cabeça, pescoço e cauda.
- A importância das duas cores e de atitudes familiares do íbis para a simbólica antiga.
-
A posição do íbis no simbolismo religioso do Oriente Próximo
- O íbis como um dos mais nobres emblemas religiosos na Antiguidade do Oriente Próximo.
- Contraste com a participação mínima e desvantajosa no simbolismo medieval ocidental.
-
A promoção do íbis pelo sacerdócio egípcio e sua associação com o Verbo divino
- O papel do sacerdócio egípcio na promoção do íbis à condição de emblema glorioso.
- A teologia do deus único Amon-Rá-Ptá e a criação por meio do Verbo.
- A distinção entre o Coração divino (Hórus) e a Língua divina (Thot) como aspectos do Verbo criador.
- O falcão como hieróglifo representativo de Hórus-Coração e o íbis como hieróglifo de Thot-Palavra.
- A insuficiência da explicação tardia de Eliano, que comparava as penas negras ao discurso interior e as brancas ao discurso pronunciado.
-
O íbis como destruidor de serpentes e sua proteção à agricultura
- O relato de Pompônio Mela sobre os íbis que interceptam e matam serpentes venenosas que invadem o Egito.
- A confirmação deste comportamento por autores antigos como Heródoto, Diodoro Sículo, Eliano, Marcelino e Plínio.
- A invocação religiosa dos íbis pelos egípcios durante a estação de cheias do Nilo, conforme Plínio.
- A persistência desta crença entre os fellahs, que consideram o íbis branco um pássaro abençoado e protetor da agricultura.
- O relato de Flávio Josefo sobre Moisés utilizando íbis na guerra contra a Etiópia para combater serpentes.
- A glorificação artística deste papel, exemplificada por uma escultura no Vaticano que mostra o íbis com uma serpente morta no bico.
- A inimizade do íbis com outros répteis, como os lagartos, e a crença, relatada por Horapolo, de que uma pena de íbis poderia imobilizar um crocodilo.
-
O íbis como agente purificador e seus hábitos alimentares
- A alimentação do íbis com serpentes, outros répteis, animais mortos, peixes em putrefação e detritos de origem animal.
- A percepção egípcia do íbis como um "purificador do mundo", análoga à do escaravelho sagrado.
- O hábito do íbis de beber apenas água muito pura, conforme atestado por Plutarco.
- A utilização dessa mesma água pelos sacerdotes egípcios mais escrupulosos para suas purificações rituais.
-
O íbis como emblema de ressurreição e condutor de almas
- A consagração do íbis à Lua na religião egípcia e a possível correlação entre o período de incubação e o ciclo lunar.
- A associação fundamental entre o íbis e a Lua por meio de Thot, o deus que regia este astro, frequentemente representado com seus símbolos.
- A relação do íbis sagrado com Osíris e sua função como emblema da ideia de ressurreição, simbolizada também pelo ciclo lunar.
- O papel do íbis como psicopompo, transportando os deuses que visitaram a terra e as almas dos Justos para o céu.
- A comparação com o deus grego Hermes, que partilhava esta função de condutor de almas e foi assimilado a Thot no período helenístico, embora Cícero precise que Hermes Trismegisto não se chamava Thot.
-
As honras fúnebres e a mumificação do íbis no Egito Antigo
- A mumificação dos íbis após a morte, prática também aplicada aos falcões de Hórus.
- Os locais de enterro específicos, como Hermópolis, Abidos, Mênfis e os "Poços dos Pássaros" em Saqqara.
- O vínculo simbólico entre o íbis emblemático e o vaso hieroglífico, que representava o coração.
-
O íbis como emblema do coração e sua relação com o conhecimento
- A representação hieroglífica do coração (do deus único e do homem) por um vaso.
- A interpretação de Eliano de que o íbis, ao recolher a cabeça e o pescoço sob as asas, assume a forma de um coração.
- A representação artística desta atitude simbólica, exemplificada por um biju do século XIII.
- O relato de Plutarco sobre o peso do filhote de íbis ao eclodir ser igual ao do coração de um recém-nascido.
- A descoberta de múmias de íbis envoltas em formas de pequenos corpos humanos em Hermópolis.
- A crença egípcia de que o coração era a fonte do pensamento e da inteligência, e de que Thot-íbis simbolizava tanto o verbo humano quanto o Verbo divino.
-
Thot-íbis e Hermes Trismegisto como divindades do conhecimento e da sabedoria
- A assimilação entre Thot e Hermes na Hermópolis helenística, honrados como senhores da ciência e do pensamento divino.
- A atribuição a Hermes (e, por extensão, a Thot) da invenção da escrita e de várias ciências, conforme o testemunho de Platão.
- A afirmação de Plutarco de que a primeira letra do alfabeto egípcio era figurada por um íbis.
- O relato de Clemente de Alexandria sobre os quarenta e dois livros das ciências sagradas compostos por Thot.
-
O íbis como símbolo de autoconhecimento e da medicina
- A capacidade do íbis, devido à flexibilidade do pescoço, de observar todas as partes do próprio corpo, simbolizando o autoconhecimento.
- A associação desta característica com a descoberta de um remédio de ordem íntima, aproximando ainda mais o íbis de Thot de Hermes, detentor de segredos medicinais.
- A interpretação moderna de Thot como o "Mensageiro do céu" que conecta o passado, o presente e o futuro.
- A consagração dos cinocéfalos, evocadores da ciência e da sabedoria divina, ao deus Thot de cabeça de íbis.
-
A recepção do íbis na simbólica cristã primitiva
- O interesse da escola cristã de Alexandria (Didascaleia) pela identificação egípcia de Thot com o Logos/Verbo divino.
- A apropriação dos aspectos simbólicos do íbis que o aproximavam de Cristo: emblema de ressurreição, vencedor da serpente, purificador do mundo, condutor de almas, personificação da sabedoria e da ciência médica.
- A aceitação do símbolo para representar a Sabedoria divina na simbólica de Cristo e do Espírito Santo.
- As representações artísticas ocidentais do íbis no cristianismo primitivo, como em uma amuleta gnóstica, um marfim da Lombardia e uma lâmpada do século IV encontrada em Poitiers.
- A substituição do íbis pela Fênix em algumas obras de arte, ambas como símbolos de ressurreição.
- A possível representação do íbis (e não da Fênix) na grande mosaico da basílica dos Santos Cosme e Damião em Roma, onde uma ave branca voa em direção a Cristo coroado com um monograma.
-
A degradação do íbis na simbólica medieval ocidental
- A negligência dos Bestiários medievais em relação ao passado simbólico positivo do íbis.
- A classificação do íbis como ave impura no Deuteronômio, proibida para consumo pelos hebreus.
- A interpretação moralizante baseada em seus hábitos alimentares, comparando-o ao cristão que se alimenta de gula e impurezas para saciar seus apetites vis.
DESTAQUES:
ENSAIOS NA REVISTA REGNABIT